sábado, 11 de agosto de 2012

Consumismo

Hoje eu não olhei as estrelas. Doeu. Está doendo demais. Entrei em casa e chorei feito uma criança. Chorei como alguém que, em meio ao desespero, quer que suas lágrimas sejam capazes de aliviar seu sofrimento. Até percebi que a lua estava no céu mas preferi não olhar seu brilho - enxergá-lo sozinha deve ser muito triste. Ouvi o canto dos pássaros e o barulho nas folhas no chão mas não quis criar melodia pra não sofrer depois com as lembranças de uma tristeza chata, que só veio pra incomodar. Eu queria mesmo era poder andar de mãos dadas, olhar as estrelas, contá-las, dar nome a cada uma delas e depois rir. Seria bom se, toda vez que meu coração apertasse, alguém sentisse o mesmo e viesse correndo de braços abertos pra eu poder me aconchegar e sentir esse aperto diminuir pouco a pouco. Eu juro que não peço nada mais que reciprocidade. Nada mais que ter na mesma proporção: ouvidos para ouvir e ser ouvida; conselhos pra dar e ser aconselhada; ombros pra chorar e braços para ser acolhida. Nada mais que isso, eu prometo. Mas espero que não demore, porque uma hora essa coisa toda de ser lembrada só na hora do aperto cansa e, depois que eu cansar, vai demorar pra eu me recuperar e voltar a querer me doar. Porque se doar por inteiro te consome, e não receber nada em troca consome mais ainda.

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